Enviar por e-mail Enviar por e-mail

Quem é o síndico da sua intranet?

Por Daniel Aisenberg • June 9th, 2008

Aqui entre nós, uma coisa consegue ser pior do que reunião de condomínio: faltar à reunião de condomínio. Ao não participar do debate, você perde a chance de defender os seus interesses e evitar que uns poucos imponham decisões injustas ou bizarras. Alguns problemas só mudam de endereço, e isso vale tanto para edifícios quanto para intranets. Daí a importância de se estruturar a governança desse canal.

Tudo bem, essa não é lá uma analogia brilhante… mas pense nos pontos em comum entre um condomínio mal administrado e uma intranet sem liderança. Ou melhor ainda, vamos ver alguns exemplos do prédio de um amigo meu, que vive reclamando dos vizinhos – e imaginar como eles poderiam acontecer no mundo corporativo:

Condomínio Varandas Hipotéticas

Intranet da Acme do Brasil

“A Dona Geni, do 601, encheu a portaria de poltronas de vime. Além de não combinar com a decoração, a mobília atrapalha a passagem. O síndico fingiu que não viu.”

Um departamento insiste em demandar pop-ups na home page, e o editor da intranet cansou de explicar que eles prejudicam a usabilidade da intranet. O pisca-pisca continua.

“Só um dos três elevadores está funcionando, para variar. De manhã é um verdadeiro engarrafamento de gente.”

O servidor cai ou fica muito lento com freqüência. Faltam investimentos em TI e planos de contingência. E a credibilidade da intranet…

“Vivo recebendo correspondência de outros apartamentos por engano. Isso sem contar encartes de lojas, que entopem o meu escaninho.”

A intranet e os comunicados não têm conteúdo segmentado. Qualquer um pode criar listas e mandar e-mails para os grupos que bem entender.

“O Maurício, do 302, vive estacionando o carro na minha vaga. Ele deve ser amigo do síndico, porque nunca foi multado”

Algumas áreas se vêem no direito de “furar a fila” das demandas. Esse favorecimento, proposital ou não, passa a idéia de pesos e medidas diferentes na gestão da intranet.

“Estão refazendo o jardim do prédio, mas a garagem continua com infiltração. Não seria melhor começar pelas obras urgentes?”

A priorização dos investimentos é mal feita ou não passa pela validação de um comitê. Esse processo decisório é é fundamental para a manutenção evolutiva da intranet.

“As atas das assembléias são muito vagas e mal documentadas. Com o tempo, fica o dito pelo não dito.”

A gestão de conteúdo é tratada como um nome bonito para redação. Mas ela vai muito além disso, regendo os fluxos de autoria, edição, publicação e arquivamento de conteúdo.

A gestão de conteúdo é tratada como um nome bonito para redação. Mas ela vai muito além disso, regendo os fluxos de autoria, edição, publicação e arquivamento de conteúdo.

Brincadeiras à parte, algum desses exemplos soou familiar? Você deve ter percebido que uma coisa falta em todos eles: liderança. Mas isso não quer dizer que um ditador de plantão é a resposta. Liderança não é sinônimo de ditadura. Um bom administrador articula com especialistas em vez de tentar resolver tudo sozinho. Por isso, os condomínios têm comitês para assuntos como obras, contabilidade e compras.

Sozinho, fica difícil

Em uma governança de intranet ou portal corporativo, também é assim: áreas-chave definem regras, diretrizes e métricas em consenso. Planejam juntas, avaliam juntas, trabalham juntas. Ou melhor, é assim que deveria ser para evitar a dispersão de iniciativas e os conflitos sem fim.

Às vezes faltam candidatos à vaga de “síndico”. Também acontece de sobrarem candidatos, mas faltar talento e conhecimento para encarar essa empreitada. Em outros casos, uma área da empresa até já cuida da intranet, mas de uma forma míope – como aquele gestor de RH que encara o canal como um mural eletrônico e catálogo de benefícios.

Essas duas aplicações estão corretas, claro, mas não são as únicas. O problema não está na coordenação do RH, do Marketing ou de outra área qualquer. O fato é que a web, em geral, tem natureza multidisciplinar. Dificilmente, uma única gerência ou diretoria consegue enxergar todas as possibilidades e pôr a mão na massa para criar um verdadeiro… portal corporativo.

Ops, falei em “portal corporativo”, mas vou ter que deixar esse conceito para um próximo artigo. O mesmo vale para a lista das principais políticas, normas e rotinas regidas pela governança web. Por enquanto, pense que, sem uma boa gestão, ganha quem grita mais alto. E, se esse for o caso na sua empresa, prepare a voz e trace o seu plano – essa é uma boa oportunidade para o surgimento de um líder.

E agora, está mais animado para a “reunião de condomínio” da sua intranet?

Artigo publicado no JumpExec em 09/06/2008


 

« Palavra-Chave produz conteúdo para Caixa Econômica | Página inicial | Cursos na Firjan desvendam webwriting e gestão de conteúdo »