7 razões para não atualizar seu portal

Por Daniel Aisenberg • 25/08/2006

Como você classificaria, em ordem de importância, os fatores abaixo para dar um gás na gestão de conteúdo do seu portal ou intranet?

( ) Software de publicação
( ) Terceirização
( ) Chicote
( ) Cafuné
( ) Treinamento

Tudo bem, agora guarde a resposta na cabeça, que daqui a pouco a gente confere o ranking. Vamos falar um pouco do desafio (eu ia dizer “problema”, mas sabe como é o nosso vocabulário corporativo) de manter o conteúdo atualizado, contando com a colaboração dos funcionários. Mas hoje o ponto de vista vai ser diferente: o de quem está do outro lado, ganhando de brinde mais essa atribuição.

1. “Com tanta coisa urgente, por que vou mexer nisso agora?”

Que as equipes ficaram mais enxutas e o trabalho aumentou, ninguém discute. Na hora de escolher entre fechar um relatório gerencial e atualizar uma página da intranet, a decisão mais lógica é priorizar a atividade-fim da área. Lembre-se de que estamos nos colocando no lugar de alguém sem ligação direta com o projeto de portal ou intranet. Se você está lendo este artigo, deve ter uma visão bem diferente.

Um obstáculo como esse não é resolvido com discursos. Basta olhar para a sua agenda e analisar a ordem das tarefas. Você geralmente faz primeiro o que tem maior impacto e é mais cobrado internamente. Então, um verdadeiro envolvimento na gestão de conteúdo passa pela inclusão dessa atividade no descritivo da função (o famoso job description). Em suma: colaborar na atualização da intranet deve fazer parte do trabalho oficialmente, como aquele relatório gerencial.

2. “Mais trabalho com o mesmo salário? Ah, tá…”

Cá entre nós, essa história de “vestir a camisa” já está cansando. Esperar retorno pelo esforço adicional não significa ser mercenário, e sim que o funcionário valoriza seu trabalho. Mas espere aí, então o segredo para conquistar parceiros é o do cofre? De jeito nenhum.

A maioria das pessoas não trabalha só por dinheiro. Você já deve ter recusado pelo menos uma proposta financeiramente atraente devido a fatores como ambiente de trabalho, flexibilidade e reconhecimento. Existem métodos de compensação eficazes sem envolver dinheiro e, por isso mesmo, livres de certos vícios. Um deles é contar pontos – literalmente, no caso de um Programa de Desenvolvimento Individual (PDI) – para quem contribuir na atualização do portal. Como veremos em futuros artigos, outra moeda está sempre em alta: a social.

3. “O meu chefe não está nem aí para isso. Adianta o sacrifício?”

Todo mundo já passou pela experiência de ter um trabalho ignorado, depois de muito esforço e noites em claro. Fazer algo que passe despercebido pelo chefe não apenas gera frustração, mas esfria o ânimo para novas empreitadas. Portanto, os líderes precisam estar comprometidos com a missão de manter o portal atualizado. Eles não podem encarar a gestão de conteúdo como uma atividade de segunda categoria, quase um passatempo de seus subordinados.

Em um curso que ministrei recentemente em uma grande empresa, todas as turmas tocaram no mesmo ponto: tem chefe que, além de não dar bola para a intranet, ainda embarreira as iniciativas do funcionário. Seja por conservadorismo ou ignorância, essa questão deve ser atacada de frente, com ações de aculturamento da liderança. Tudo com jeitinho, claro.

4. “Será que alguém vai ler mesmo o que eu publicar?”

Outro fator de desmotivação é não ter idéia do resultado de um esforço. Sem enxergar o produto do seu trabalho, qualquer um acaba desanimando. Existem várias soluções, simples e em muitos casos automáticas, para tangibilizar o valor gerado pela colaboração de conteúdo: relatórios de acesso a seções específicas, cópias de comentários por e-mail, resultados de campanhas etc. Mostre que cada contribuição faz diferença para o resto da empresa.

5. “O meu negócio não é escrever. Nem sei por onde começar.”

Às vezes sobra boa-vontade, mas faltam conhecimentos básicos em comunicação. Muitos funcionários só precisam de uma mãozinha para dar conta do básico. Cursos presenciais, manuais de estilo, corretor ortográfico e, principalmente, apoio dos gestores de conteúdo no dia-a-dia são ferramentas importantes. Agora, não adianta insistir com aqueles que não levam mesmo jeito para a coisa; selecionar bons colaboradores é pré-requisito para uma gestão de conteúdo sustentável.

6. “Sem uma ferramenta adequada, fica difícil.”

Ah, essa é uma pegadinha. Ajuda muito, sim, ter um belo software de publicação – também conhecido como Content Management System (CMS) – mas ele não garante de forma alguma a participação dos funcionários. Estamos falando de gente, de hábitos, de resistências que devem ser tratados no âmbito da gestão de pessoas. A tecnologia é uma bênção, e graças a ela os portais estão se tornando realidade, mas esse jogo é decidido em um campo bem mais subjetivo.

7. “Caramba, mais uma ferramenta?!”

Parece brincadeira, mas o CMS dos seus sonhos pode ser recebido assim. As empresas inundaram seus funcionários com tantas ferramentas nos últimos anos, para tantas finalidades diferentes, com tantas interfaces, senhas, protocolos e promessas, que a resistência à tecnologia ganhou novos tons. É uma mescla de saturação (“outro sisteminha para aprender”), descrédito na solução (“pronto, mais um abacaxi”) e conservadorismo (“prefiro trabalhar do meu jeito”).

Um bom começo para atacar esse “pé atrás” é envolver pessoas-chave na especificação da ferramenta de conteúdo, láááá no início do projeto mesmo. Ouvir as equipes nas pontas, aprender como elas trabalham, do que elas precisam, quais são os fluxos de aprovação – enfim, moldar o software às pessoas, e não o contrário.

Bem, este artigo já está ficando longo demais, e você já deve ter percebido que todos esses pontos merecem uma abordagem mais aprofundada. É isso que pretendo fazer em próximos encontros, a partir desta provocação: uma boa gestão de conteúdo gira em torno de pessoas e processos, e não de ferramentas. Já dá para ter uma noção de como eu classificaria aquele ranking do início, não dá?

Comments

Por Valéria Becker on August 13th, 2008 at 16:46

Excelente, Daniel.
Gosto do teu texto: abordagem e forma!
Parabéns.

 

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