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Workshop: dois mundos em sintonia

Por Daniel Aisenberg • April 13th, 2005

Aconteceu, no fim de março, a 5ª Conferência de Portais Corporativos, realizada pela IBC Brasil em São Paulo. Como nas edições anteriores, o evento reuniu muita gente boa, dos mais diversos segmentos e formações, para trocar experiências sobre intranets e portais de negócios. Se você ainda não estiver por dentro, leia o último artigo da coluna Estratégia, onde o Saldanha faz um resumo dos principais cases apresentados no evento.

Legal, mas o que isso tem a ver com a nossa coluna? É que eu ministrei o workshop pós-evento “Gestão de conteúdo em portais, sites e intranets”, na manhã do dia 31. É sobre essa experiência que vou conversar com você, em um artigo mais pessoal do que os anteriores. Como tive boas surpresas durante o workshop, não queria apenas comentar friamente os conceitos debatidos, e sim compartilhar algumas sensações e idéias que brotaram da interação com quase 30 profissionais ligados à gestão de intranets e portais.

A composição do grupo, aliás, foi a minha primeira surpresa. Como o foco do workshop era claramente de comunicação e processos, era de se esperar uma forte presença dos departamentos de Marketing. Que nada! Folheando a ficha de inscritos, cheguei a duvidar se estava no lugar certo: TI, Engenharia, TI, TI, Engenharia… e, claro, alguns profissionais de RH, Comunicação e áreas próximas. Qual seria a expectativa de todo esse pessoal de tecnologia? O que eu responderia quando chovessem perguntas sobre plataformas, ferramentas e especificações técnicas? E, principalmente, onde ficava a saída de emergência?

A segunda surpresa trouxe uma mistura de alívio e entusiasmo: eles queriam mesmo falar de comunicação e processos! E, ainda melhor, estavam abertos a um debate sobre o papel de cada área na coordenação de sites e intranets. A tal abordagem multidisciplinar, tão presente nos debates do Intranet Portal, já está se tornando realidade. E olha que essa turma representa segmentos variados como indústria, energia, telecom e Governo. É o amadurecimento do nosso mercado, já com reflexos em grandes organizações Brasil afora.

Começamos bem, mas e quando eu disparasse que a tecnologia, apesar de toda sua importância, é uma atividade de apoio? Que, sem processos bem definidos e uma gestão de marketing e comunicação, nenhuma ferramenta faz milagre? A IBC garantiu que ninguém tinha levado ovos e tomates para o salão, mas as pastas da conferência eram bem pesadas… felizmente, mais uma notícia animadora: o conceito foi bem recebido. Aliás, os participantes não só aceitaram a idéia da tecnologia como suporte à estratégia e aos processos, como demonstraram empenho em aplicá-la em suas empresas.

A cada opinião, exemplo e experiência pessoal, fui percebendo que a turma estava em sintonia. É uma pena não poder citar algumas histórias reais – precisaria de autorização para isso – mas vou destacar alguns pontos interessantes de forma genérica.

MUITA GENTE JÁ TRABALHOU SOZINHA

Você já teve a sensação de estar levantando uma bandeira sozinho? Ou a frustração de não aprovar aquela vaga de assistente, que ajudaria a dividir a carga de trabalho? Pois saiba que isso acontece com muita gente, mesmo em empresas de grande porte. A gerente de RH de uma multinacional contou, por exemplo, que manteve a intranet por quase três anos sem ajuda, até conseguir montar uma equipe dedicada a esse canal. É um consolo ou não é? :-)

O “BÁSICO”, MUITAS VEZES, AINDA É LUXO

Sabe o WebTrends, aquele software de análise de visitação on-line? Você ficaria surpreso com a quantidade de empresas que, até hoje, não conseguiram adquirir ou configurar adequadamente uma ferramenta desse tipo. Mesmo sendo um recurso fundamental para a gestão de sites e intranets, ainda está fora do alcance de vários gestores.

Enquanto isso, vale tudo para fazer o trabalho da melhor forma possível: enquetes, relatórios manuais (com a ajuda de uma boa alma em TI) e muita, muita intuição. Se for o seu caso, continue batalhando e saiba que muitas empresas estão no mesmo barco – embora poucas reconheçam, claro.

INFORMALIDADE É PROBLEMA GENERALIZADO

Quando falamos sobre briefing, a atenção foi total. O pessoal fez muitas perguntas e anotações, buscando formas de obter especificações detalhadas dos clientes internos. O interesse foi tanto que cedi modelos de documentos para orientar ações de comunicação on-line. Ficou evidente a dificuldade dos gestores nessa etapa do trabalho, devido sobretudo à informalidade e à falta de interesse das áreas demandantes.

Se você quiser saber mais, aproveite para ler os artigos que escrevi sobre a Síndrome do Briefing Capenga, uma doença que assola o mundo corporativo. E lembre-se: um processo assim não passa a funcionar da noite para o dia, porque envolve mudanças culturais profundas. Se o brasileiro já é informal por natureza, a percepção “mágica” que os leigos têm do conteúdo on-line complica bastante a situação. Mesmo em organizações de grande porte, botar ordem na casa é um “trabalho de formiguinha”, com resultados a longo prazo.

O MARKETING PRECISA ENTRAR MAIS NO JOGO

A presença marcante dos profissionais de tecnologia no workshop merece alguma reflexão. Por um lado, demonstra um interesse crescente da TI pelo mundo da comunicação e dos negócios, um sinal claro de amadurecimento. Por outro lado, será que os departamentos de Marketing estão fazendo a sua parte? Não está na hora de os velhos preconceitos e divisões darem lugar a uma postura colaborativa e multidisciplinar – de verdade, não só no discurso?

Como profissional de marketing e de conteúdo on-line, convido você a pensar sobre essa questão.

Aliás, é uma boa oportunidade também para deixar a sua opinião e ampliar o debate, que é o espírito do Intranet Portal. Um abraço e até breve!

Artigo publicado no Intranet Portal em 13/04/2005


 

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